segunda-feira, 7 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - O TEATRO COMEMORA



A MULHER E O TEATRO
               (por Tonico Lacerda Cruz)

Dia 8 de março - Dia Internacional da Mulher. Será coincidência este dia ser comemorado no mês que também comemoramos o Dia Internacional do Teatro (27 de março)?

A história da humanidade sempre dependeu da atuação da mulher (ainda que reconhecendo apenas o aspecto da maternidade), mas sempre renegou esta ATIVIDADE a uma PASSIVIDADE.

Esta mesma história testemunhou modificações sociais cíclicas, nas quais a mulher era, ora escrava, ora rainha; ora deusa, ora humana. Isto, de certa forma contribuiu para que ela - a mullher absorvesse em si, um pouco da personalidade de cada um deste papéis.

Assim sendo, na história recente, mais precisamente nos séculos que fecharam o segundo milênio, a mulher foi mixando estas quatro personalidades numa só – nela mesmo - mulher. A partir daí, passou a lutar por seu lugar nos palcos da vida.

Para as mulheres, era reservada a dignidade apenas quando assumia seu papel de dona de casa ou, no máximo, professora. Mas, delicadamente (como que por ironia aos homens), a voz feminina, a personagem feminina vai se tornando autônoma, escrevendo sua própria história.

Mas, se escrever era transgredir normas, atuar em teatro então nem se diga. O que dizia-se de uma mulher que saía para uma companhia teatral, para ser atriz, trabalhar junto a outros homens, deixando para trás o espaço privado e caindo totalmente na esfera do domínio público, exibindo-se diante de uma platéia? O que era dito sobre essas mulheres?

Ora, durante muitos anos, foram rotuladas de prostitutas e outros adjetivos de igual teor. Com certeza, durante muito tempo, as atrizes enfrentaram sérios preconceitos, uma vez que seu trabalho não era considerado trabalho honesto, digno como os outros. (E pensar que hoje em dia, alguns membros da sociedade ainda escondem em si estes rótulos para as atrizes...)

Hiramisa Serra, 50 anos de teatro em 2008.
Enfim, coube a algumas delas, seguindo as histórias de tantas outras artistas, mostrarem o verdadeiro rosto, o verdadeiro corpo e, principalmente, o verdadeiro ser da mulher - Cacilda Becker, Fernanda Montenegro, Maria Clara Machado, Bárbara Heliodora, apenas para citar algumas mais contemporâneas, reafirmarem-se estas MULHERES ARTISTAS, muheres que são escritoras, atrizes, enfim, são sujeitos coletivos, produzindo uma escritura e uma arte que exprimem a identidade feminina, que deixa de ser o outro do masculino e passa a ser o ego, se afirmando enquanto sujeito de sua criação.

Mas, não são apenas estes exemplos de mulheres artistas, reconhecidas nacionalmente, que assumem, junto com homens artistas, este papel de protagonistas da própria história, da história da arte e da história do teatro.
Tamara Larripa em "Suspeita de Assassinato".

Nossos viciados olhos hipermetrópicos, às vezes, não permitem que vejamos mulheres-artistas próximas de nós, que estão neste mesmo patamar histórico, como as cearenses: Raquel de Queiroz (sim, ela também escreveu textos dramatúrgicos), Suzy Elem, Nadyr Saboya, Fernanda Quinderé e Hiramisa Serra, apenas para citar algumas delas.

Mas, ainda citando estas artistas cearenses do século XX (algumas podem me matar por isto), estaria eu um grau de hipermetropia menor do que necessito se não citar artistas plurais do século XXI, que fizeram e fazem a história da CIA. PLURAL DE ARTES CÊNICAS, nestes 10 primeiros anos do terceiro milênio (já que a CIA. PLURAL nasceu em 05 de março de 2001): Beatriz Lobo, Mariana Brito, Rafaela Diógenes, Tamara Larripa e Lorena Maciel (também, apenas citando algumas delas).

Obrigado a todas vocês! Recebam nossos aplausos e nossos sinceros votos de muita MERDA!
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